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quinta-feira, 29 de março de 2012

Estação de Comboios de Castelo Branco

A espera por um comboio - que se faz anunciar estar atrasado - transforma-se numa deambulação por detalhes sonolentos da estação.


Uma flor que espreita quem passa...

 



Uma árvore que apoderou-se de uma casa devoluta...




Uma roda de metal que passa o tempo a admirar-se na sua sombra...



(Entretanto o comboio chegou...)


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rota das Fontes

Sim, senhor! A vontade já existia há algum tempo; por isso as "falsas partidas" que ocorreram. Que esta data não era boa, que na outra não posso, que naquela não está cá fulano... Acabou-se as hesitações! Conseguimos encontrar um domingo perfeito - até o sol apareceu - para inaugurar com pompa e circunstância a época das caminhas. Com esta magnifica paisagem da Beira até era um pecado não o fazer... Foi escolhido para o efeito um percurso acessível, bonzinho. A opção foi a Rota das Fontes, desenhada ao norte da cidade da Covilhã. Encontrou-se aqui a informação oficial. Onze almas animadas compuseram a equipa!



Optou-se por partir perto do parque de campismo do Pião. Fomos logo mimados com uma bonita vista. (Quem consegue descobrir onde está a ponte pedonal?)



A caminhada desenvolvia-se e a cidade assumia novas perspectivas.



A visão mais habitual da Covilhã é, desde algum ponto na Cova da Beira, observá-la em repouso no sopé da serra. Nesta caminhada têm-se o privilégio de olhá-la de cima; de enquadrar a cidade num cálido horizonte. Um horizonte de montanhas, é verdade, mas de montanhas meiginhas que se curvam perante a rainha das serras, a Estrela.



Encontrar uma piscina em plena serra foi uma surpresa! Mais do que isso, foi o momento certo na hora de descansar um pouco as pernas e saborear as deliciosas e tradicionais barras energéticas... Hora de sentir as sombras do arvoredo e a frescura de umas gotas de água atiradas por alguém mais preocupado. Hora de desencantar um canivete suíço e arranjar uns cajados para os trilhos que se anunciavam mais pedregosos e descendentes.



A beleza serrana continuava a dar "show"... Nem os raios de sol faltaram para enquadrar condignamente a paisagem.



Quem disse que não se deve atirar pedras aos telhados? Pois disse muito bem, mas colocá-las para fins práticos resultaram inseperadamente numa original visão. Ao fundo, consegue-se ver, com uma certa inesperada serenidade, a zona industrial do Canhoso.



Descendo e continuando a descer, por vezes em trilhos muito bem dissimulados entre árvores, silvas (as amoras, meu Deus, as amoras...) e casebres abandonados, chegou-se a zonas urbanas. O momento de passar sobre uma calçada romana em Cantar-Galo teve a sua parte de surpreendente. No entanto, que pena o ar de um certo desleixo que a envolve! Optamos por desfrutar do ambiente bucólico resultante!


Cantar-Galo estava em festa!



Depois de deixar o percurso urbano foi sempre a subir.Subir a serra circundando o Sineiro e a Biquinha. Tivemos o momento de encontro com uma fonte original...



... com a "fauna" local. Primeiro, um cavalinho...



... ainda outro cavalinho (este muito fotogénico e com desejo de agradar à "audiência")...



... e até um nobre gatinho branco e de olhos azuis que nos acompanhou durante algum tempo. Seria para nos encorajar ou tentar sacar umas guloseimas?




Concluindo: quanto mais vale passear na natureza do que andar a olhar as montras num shopping! Por isso, e por mais razões, em breve haverá mais.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Gatos

(Almeida)

Estes seres arejam ares de uma certa vagarosidade aristocrática. Estejam onde estiverem. Como se fosse um privilégio a sua presença. A visão dos seus movimentos suaves. Fingem não se interessar em quem os observa e naqueles que se dão ao trabalho de tentar atrair a sua atenção. Assumem-se como reis que dispensam tronos. São os felinos entre nós.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Covilhã em Barcelona

"Como la mayoría de las ciudades portuguesas del interior, Covilhã se sienta en una loma. Su casco antiguo está en lo alto, vigilando que los almohades no crucen el río Tajo y que los castellanos se queden quietos en Ciudad Rodrigo. La tensión interior la mantenía erguida. Cuando esa tensión subió a bordo de una carabela, circunvaló el globo y fundó un imperio de navegantes, cartógrafos y comerciantes de sedas y especies –más que de recios conquistadores tierra adentro–, la más laboriosa ciudad de la Beira portuguesa comenzó a deslizarse por la loma."

Assim começa um artigo publicado no passado dia 9 no jornal catalão La Vanguardia. Vale a pena lê-lo na inteireza. Teve o seu quê de arrepiante ler esta crónica. Ler como os outros nos vêem e descrevem é sempre muito interessante. Mas, de facto, desde que moro aqui que notei o cosmopolismo da cidade expressa nas vozes espanholas e polacas que abundam nas ruas e cafés. (Obrigado Jordi por me enviares a notícia!)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Frio

Gosto mais do inverno do que do verão. Nem perante o ataque do hálito glaciar que rola montanha abaixo eu mudo de ideia. Ele há lá coisa melhor do que andar na rua com a cara a sentir o tal sopro de fazer inveja a uma arca congeladora e depois chegar a casa e beber um chocolate quente? Não daqueles de juntar leite e pó. Não! Daquele feito com uma autêntica tablete de chocolate de culinária vagarosamente derretida em leite acabado de ferver e com adição de umas pingas de brandy. Essas coisas só podem acontecer no inverno!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Momentos na serra




A vila de Manteigas ao fundo do Vale Glaciar.




Uma mesa convidativa no Covão d'Ametade.




Afinal um Poço do Inferno pode ter enorme beleza.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Neve na Covilhã




"Bate leve, levemente..."



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Freineda

Esta tranquila aldeia, que actualmente conta com menos de 300 habitantes, está situada no concelho de Almeida. Como ponto alto da sua história está o facto de ter albergado o Quartel General do Duque de Wellington entre Novembro de 1812 e Maio de 1813, como Comandante Chefe do Exército Luso-Britânico que resistiu às invasões francesas.

Fonte: Junta de Freguesia da Freineda





















domingo, 6 de dezembro de 2009

Aldeias históricas

Uma das mais interessantes atracções turísticas da Beira Interior são as chamadas aldeias históricas. Embora exista oficialmente a classificação de aldeia histórica inserida num programa governamental iniciado em 1991 e que neste momento, se não me engano, contempla 12 lindíssimas localidades, vale a pena usar este termo de uma maneira mais liberal e incluir as localidades que estão semeadas a esmo pela região e que justificam plenamente uma daquelas descansadas viagens sem destino. Onde se siga a direcção de um letreiro branco sujo e se pare quando apeteça, pelo simples prazer de deambular.

Algumas destas povoações são anteriores à fundação de Portugal como nação e estão localizadas em pontos estrategicamente altos. Por vezes o caminho não tem asfalto, nem largura suficiente. Podemos ver restos de muralhas, igrejas antiquíssimas, becos, caminhos e escadas que se perdem no casario. Casas de todos os tamanhos, orgulhosamente construídas de pedra e com portas de madeira maciça. Se, por sorte, formos envolvidos por um dia de nevoeiro leve e passageiro, parece que viajamos para uma época mágica e remota. Em algumas delas vivem pouco mais que uma dezena de pessoas. Podemos ser apanhados por um imenso grupo de ovelhas ou cabras que nos olham desconfiadas e hesitantes. Impressiona a solidão e a paisagem. É um autêntico museu vivo de como em tempos a vida tinha rotinas e tempos que hoje são desconhecidos a muita gente. São perfeitas para se passar uns dias de férias se temos a necessidade de verdadeiro descanso e de um encontro com o que é essencial em nós.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Covão da Ponte

"O Covão da Ponte é um lugar do concelho de Manteigas, situado a 960m de altitude por onde corre o Rio Mondego na fase inicial do seu percurso. Ao aproveitar as características naturais do local e ao renovar os edifícios ali existentes, gentilmente cedidos pelos Serviços Florestais, o Parque Natural transformou este local num pequeno núcleo de recreio, com infraestruturas de campismo e um casa abrigo com as condições mínimas, para apoiar todos aqueles que gostam de praticar actividades de ar livre."

(www.covaodaponte.com)




Continuo a exploração das terras altas da Beira Interior . Desta vez foi o chamado “Covão da Ponte”. Mas, o espectáculo começa muito antes. Primeiro, há que encontrar a vila de Manteigas. Seja qual o caminho que se escolha, é um privilégio visual viajar pelo alcatrão serepenteante até a vila fazer a sua aparição no meio do imponente verde que sobe pelas alturas. Depois de passar pela localidade, começa a subida na estrada EN 232, em direcção a Gouveia, que não é amiga da pressa. Até seria pecado, não fosse apenas perigoso. Sentimos a paisagem a engrandecer e a fazer-nos respirar devagar.




Saímos da estrada nacional e trilha-se um caminho mais estreito que nos surpreende com campos lavrados e cultivados. Sempre a subir. Por fim, chega o local, qual oásis encravado num oásis maior ainda.




É mesmo o Mondego. É um bébé, mas já cativa!



Caminhar neste local faz tão bem!



Não há ponte para a outra margem. Nem faz falta!





A paisagem é linda, mas nem falo do petisco que compôs o dia. Como podia, apenas com palavras, fazer justiça aos pastelinhos de bacalhau com arroz malandro ou da entremeada assada na altura, feita com brasas da lenha que se apanha no local?


(Cidades? Quem precisa de cidades?)