Foi um prazer participar pela segunda vez num desfio feito pelo João no seu Blogue que ninguém lê (pensava ele…). Quando vi as quatro fotografias disponíveis – todas elas lindíssimas! – logo “agarrei” a do baloiço. Foi rápida a ligação que fiz a uma das músicas do último álbum da Mafalda Veiga. “Balançar” é o tema. Com a permissão do João, coloco aqui o resultado da fusão entre a imagem e as palavras.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Ibne Mucane
Ibne Mucane, ou Ibn Mucana, é, provavelmente, a figura histórica mais ilustre que nasceu em Alcabideche. Poeta árabe do século XI que migrou para o sul da península e, percorrendo várias cortes de reinos árabes resultantes da extinção do califado de Córdoba, tornou-se afamado. Presentemente conhece-se apenas três poemas da vasta obra que criou. Infelizmente. Um deles é um hino à liberdade e ao amor à sua terra natal, Alcabideche. Isto porque o poeta a certa altura preferiu deixar a vida junto da nobreza, que considerava confortável, mas sufocante, e voltar para a simplicidade libertadora da vida numa zona rural que “lhe enchia as medidas”. Deste poema foi tirada a frase ostentada no singelo monumento ao poeta.
Sendo Alcabideche a minha terra de adopção desde tenra idade, o local deste monumento faz parte do meu imaginário. Na altura estava situado nos arredores descampados da localidade, sítio ideal de exploração e aventura para miúdos.
Hoje está tristemente encravado entre vias rápidas e enormes zonas comerciais. No dia em que tirei as fotografias encontrei-o desleixadamente envolvido por ramos de árvores e com uma lixeira improvisada por trás. Ao reparar no contexto, a ironia estava clara: os parques de estacionamentos para as superfícies comerciais estão mais bem arranjados e atractivos.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Outono
terça-feira, 4 de agosto de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Eugénio na Biblioteca
Nesta semana dei de caras com uma singela e apelativa exposição de poesia. Ao chegar perto de um dos expositores nem acreditei no que li...
Olhei de perto. Bem de perto.
Mas, pelo menos posso contempla-las cada vez que aqui venha. Até ao fim de Agosto, se não me engano...
Fiquei motivado a deixar aqui umas palavras deste grande poeta:
domingo, 3 de maio de 2009
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
(António Gedeão)
Andava cá em recordações e acho que esta foi um dos primeiros poemas musicados - pelo Manuel Freire - que decorei e andava a tentar imitar ainda criança.
(Pois... acho que "Os dois amores" do Marco Paulo não contam...)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Quem é que tem uma Biblioteca catita na sua cidade, quem é?
Desde que resido na cidade que estou viciado na Biblioteca Municipal. Um dos mimos recebidos foram uns marcadores para a leitura, como este. Na parte de trás vem uma pequena citação. Este ostenta a seguinte:
Al Berto, Trabalhos do Olhar
terça-feira, 14 de abril de 2009
Caminante
Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar,
Pasar haciendo caminos,
Caminos sobre la mar.
Nunca perseguí la gloria,
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción;
Yo amo los mundos sutiles,
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse de sol y grana,
Volar bajo el cielo azul,
Temblar súbitamente y quebrarse...
Nunca perseguí la gloria.
Caminante son tus huellas el camino y nada más;
Caminante, no hay camino se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino sino estelas en la mar...
Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar...
Golpe a golpe, verso a verso...
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse, le vieron llorar.
"caminante, no hay camino, se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino,
Cuando de nada nos sirve rezar.
Caminante no hay camino, se hace camino al andar.
Golpe a golpe, verso a verso.
(Antonio Machado)
O primeiro poema colocado aqui tinha mesmo que ser este. Por diversas e bastas razões e uma acima de todas.
É um dos poemas mais belamente simples que conheço; encara a vida com um desassombramento que arrepia; evoca umas imagens mentais que faz-me flutuar acima deste confuso viver. Acima da tudo dá esperança pela frontalidade com que nos diz, olhos nos olhos, o que podemos esperar deste caminho a que chamamos vida.
Conheci este poema antes de saber o nome do poeta. Por culpa da canção que recordo a seguir.







