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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Enormes telas

A Covilhã tem simpatia pelos grafítis. Ou, como se diz agora, arte urbana. Como em tudo existem argumentos esgrimidos por que gosta e por quem não gosta. Nesta cidade existe muita degradação. Casas, muros, fachadas. Isso é que é feio. E muito. Algumas pinturas de grafíti maquilham essa realidade. E ainda bem. Algumas pinturas são muito bem conseguidas. Fotografei algumas e vou colá-las no meu blogue.



Ninguém olharia para este quintal acimentado se não fosse por esta imaginativa pintura. Um recanto que merecia um banco de jardim.

sábado, 30 de maio de 2015

Coimbra mal vista

Há uns dias (muitos mesmo...) fui de passeio a Coimbra. Sem nada para fazer. Apenas andar para confirmar que as cidades não são projetadas para os peões andarem. Para chegar ao Forum quase precisei de uma bússola e uma catana. 



Mas valeu a pena. A chuva que me encharcou e o tempo sem presa que me envolveu. Valeu a pena para voltar aqui a colocar alguma coisita.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ruas da Covilhã


Existe uma cultura de grafites nas ruas da cidade. Algumas aproveitam edifícios degradados, outras paredes alvas. Uns pretendem aproveitar a cultura local, outros ostentam humor. Alguns são pequenos outros são frases. Como este, algures perto das engenharias.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Urbe

Regresso ao blogue a olhar para a Covilhã.

Olhar, seja por dentro, seja de longe, deixa-me a ideia de que esta cidade tem o potêncial de a qualquer altura ser uma cidade boa, bonita, com substância para quem cá vive, para quem cá passa. Tem cá os ingrediente, mas tem também as pedras. Silenciosas e sós. Abandonadas e orgulhosas. A dizerem-nos que o tempo e as decisões de quem mandou na cidade não se preocuparam com a alma citadina. Ambicionou-se construir sem respeitar a essência das coisas.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cargaleiro domingueiro

No domingo, o sol acompanhou-me nos meus passos em Castelo Branco. A manhã foi reservada para conhecer o Museu Cargaleiro. Verdade seja dita que tinha que conhecer também o artista e a sua obra. Só conhecia o nome de esporádicas noticias nos arquivos da minha memória e o autdoor que nos recebe na A23 ao avistarmos Castelo Branco. 




Ruas genuínas e estreitas conduzem até ao museu que está dividido em dois núcleos; um edifício antigo e um moderno.


A pergunta que merece destaque é? Quantos beirões (e não só) já visitaram esta beleza? Não o façam e depois digam que só em Lisboa é que há coisas boas...

domingo, 22 de abril de 2012

Mais máquinas...



Este é o torno mecânico. A mim lembra-me a mesa rotativa onde um oleiro modela o barro. Mas aqui a “mesa” gira deitada na horizontal e as “mãos” são poderosas laminas que arrancam metal.

sábado, 14 de abril de 2012

Máquinas



Fresadora é o seu nome, e veio da Polónia. À primeira apresentação pareceu uma coisa complicada e daquelas em que não sabemos onde tocar para interagir. Embora seja verdade que não é de manuseio simples, a realidade é que quando as explicações são dadas torna-se óbvio a razão da existência da panóplia de botões, alavancas e luzes. É basicamente uma mesa onde se fazem esculturas de metal. Deixando girar a fresa apropriada (uma espécie de broca grande, para usar uma linguagem mais leiga…) a mesa avança, nas nossas mãos, em todas as direções. É uma cúmplice de um bom trabalho. Uma cúmplice a quem se tem de respeitar pois não tem piedade de distrações.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Estação de Comboios de Castelo Branco

A espera por um comboio - que se faz anunciar estar atrasado - transforma-se numa deambulação por detalhes sonolentos da estação.


Uma flor que espreita quem passa...

 



Uma árvore que apoderou-se de uma casa devoluta...




Uma roda de metal que passa o tempo a admirar-se na sua sombra...



(Entretanto o comboio chegou...)


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Londres by night

Já sabemos que de noite são diferentes as cores que vestem as cidades; são misteriosas todas as esquinas; são promissoras todas as veredas; são reflectidas todas as nostalgias.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rota das Fontes

Sim, senhor! A vontade já existia há algum tempo; por isso as "falsas partidas" que ocorreram. Que esta data não era boa, que na outra não posso, que naquela não está cá fulano... Acabou-se as hesitações! Conseguimos encontrar um domingo perfeito - até o sol apareceu - para inaugurar com pompa e circunstância a época das caminhas. Com esta magnifica paisagem da Beira até era um pecado não o fazer... Foi escolhido para o efeito um percurso acessível, bonzinho. A opção foi a Rota das Fontes, desenhada ao norte da cidade da Covilhã. Encontrou-se aqui a informação oficial. Onze almas animadas compuseram a equipa!



Optou-se por partir perto do parque de campismo do Pião. Fomos logo mimados com uma bonita vista. (Quem consegue descobrir onde está a ponte pedonal?)



A caminhada desenvolvia-se e a cidade assumia novas perspectivas.



A visão mais habitual da Covilhã é, desde algum ponto na Cova da Beira, observá-la em repouso no sopé da serra. Nesta caminhada têm-se o privilégio de olhá-la de cima; de enquadrar a cidade num cálido horizonte. Um horizonte de montanhas, é verdade, mas de montanhas meiginhas que se curvam perante a rainha das serras, a Estrela.



Encontrar uma piscina em plena serra foi uma surpresa! Mais do que isso, foi o momento certo na hora de descansar um pouco as pernas e saborear as deliciosas e tradicionais barras energéticas... Hora de sentir as sombras do arvoredo e a frescura de umas gotas de água atiradas por alguém mais preocupado. Hora de desencantar um canivete suíço e arranjar uns cajados para os trilhos que se anunciavam mais pedregosos e descendentes.



A beleza serrana continuava a dar "show"... Nem os raios de sol faltaram para enquadrar condignamente a paisagem.



Quem disse que não se deve atirar pedras aos telhados? Pois disse muito bem, mas colocá-las para fins práticos resultaram inseperadamente numa original visão. Ao fundo, consegue-se ver, com uma certa inesperada serenidade, a zona industrial do Canhoso.



Descendo e continuando a descer, por vezes em trilhos muito bem dissimulados entre árvores, silvas (as amoras, meu Deus, as amoras...) e casebres abandonados, chegou-se a zonas urbanas. O momento de passar sobre uma calçada romana em Cantar-Galo teve a sua parte de surpreendente. No entanto, que pena o ar de um certo desleixo que a envolve! Optamos por desfrutar do ambiente bucólico resultante!


Cantar-Galo estava em festa!



Depois de deixar o percurso urbano foi sempre a subir.Subir a serra circundando o Sineiro e a Biquinha. Tivemos o momento de encontro com uma fonte original...



... com a "fauna" local. Primeiro, um cavalinho...



... ainda outro cavalinho (este muito fotogénico e com desejo de agradar à "audiência")...



... e até um nobre gatinho branco e de olhos azuis que nos acompanhou durante algum tempo. Seria para nos encorajar ou tentar sacar umas guloseimas?




Concluindo: quanto mais vale passear na natureza do que andar a olhar as montras num shopping! Por isso, e por mais razões, em breve haverá mais.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Gatos

(Almeida)

Estes seres arejam ares de uma certa vagarosidade aristocrática. Estejam onde estiverem. Como se fosse um privilégio a sua presença. A visão dos seus movimentos suaves. Fingem não se interessar em quem os observa e naqueles que se dão ao trabalho de tentar atrair a sua atenção. Assumem-se como reis que dispensam tronos. São os felinos entre nós.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Pôr do sol alentejano


Algures. Neste espaço, ocasionalmente irreal, onde os perfis esculpem a serenidade. A doçura do espaço que aperta-nos o peito. É o Alentejo, que mais podia ser?

(Entre Portalegre e Campo Maior)


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cebolinho


Converti-me às deliciosas vantagens de ter uma espécie de horta de ervas aromáticas dentro de casa. Estes são os meus primeiros “meninos”: os cebolinhos. Estou expectante por ver quem nasce a seguir: a salva ou o manjericão?



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Barcelona (més d'una ciutat)

Num passado não tão passado, um português para conhecer o mundo tinha a primeira etapa frequentemente em Espanha. Sem viagens de avião baratas e com as fronteiras a serem mesmo fronteiras - fechadas a cadeado e onde se passava a conta gotas após muita espera e burocracia – eu escutava curioso as epopeias de quem visitava Badajoz e trazia, qual troféu, caramelos, uma boneca para colocar em cima da cama ou alguma garrafinha. Essas pessoas tinham lugares de honra nos jantares e as suas histórias eram repetidas nos locais de trabalho. Por isso, cresci a ansiar o dia em que, qual ritual de iniciação na vida adulta, pisaria o solo espanhol nessa cidade para onde Elvas olhava.

Quis o destino baralhar-me os planos. A cidade espanhola onde descobri o mundo que existia para além das fronteiras foi Barcelona. Não foi por snobismo. Simplesmente calhou, como afinal nos calham tantas coisas na vida, sem que tenhamos opinião na coisa.

Barcelona foi, na primeira vez, um simples local de transbordo onde deambulei umas horitas, comi umas sandochas e deslumbrei-me com a estação de Sants (“Como é que conseguiram colocar os comboios na cave?”) Passados uns dois ou três anos voltei. Agora como destino. Corria o ano de 1991. A cidade estava efervescente com a preparação das olimpíadas.

Visitei o Estádio Olímpico de Montjuic.


Também o Palau San Jordi.


Além de comprar merchandising com o Cobi, a mascote dos jogos.



Foi a primeira vez que tive a consciência de estar num local famoso; num espaço que brevemente iria ser o centro do mundo. Foi uma espécie de sindroma de Jerusalém. Julguei ser tocado por alguma graça divina e quando voltei a Portugal, durante as transmissões televisivas dos jogos olímpicos, repetia ad nauseum a frase “Eu estive ali!”, esperando que isso me conferisse alguma aura.

Desde então tenho ido várias vezes à Cidade Condal. Não tantas como gostaria, mas as suficientes para dizer que a conheço relativamente bem. As suficientes para dizer que a cidade tem sido generosa comigo.

Com o esboço das suas ruas ofereceu-me uma visão cosmopolita que alargou os meus horizontes. Ofereceu-me a prova de que os sonhos por vezes se transformam em pedra, com obra de Gaudi. Nos seus cafés ofereceu-me a voluptuosidade de um chocolate quente a envolver-se com um churro. No parque de diversões de Tibidabu ofereceu-me o mais genuíno momento de adrenalina passado numa casa de terror.

Ensinou-me que a amizade não tem distância nem tempo. Edifica-se através das palavras e dos silêncios, através das presenças e das ausências, através de hoje e do ontem, através das alegrias e das inquietudes.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Goldra



É revigorante subir para a parte alta da cidade pelo parque. Especialmente quando o fim do dia, na sua decadente claridade, pincela as coisas com uma certa meiguice.













terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Marvão

Impacto. Vindo de Portalegre e entrando numa recta em que se avista claramente o altaneiro povoado, amuralhado e com alguns telhados do casario a tentarem espreitar-me, é impossível não sentir um arrepio. Que estranha razão existe em mim para sentir o Alentejo desta maneira? Que força emanada destas planícies douradas me faz amar a vida mesmo quando me sinto o mais perdido dos homens? Não sei responder. O que sei é que quando a brisa quente do fim da tarde entrou pela janela totalmente aberta do carro e despudoradamente esfregou-se no meu rosto, só me apeteceu que ela continuasse ali para sempre, como se de um acessório da viatura se tratasse.

Cheguei. Deixei o carro no parque exterior e entrei a pé muralhas adentro. O coração decidiu correr à minha frente; o desgraçado por vezes é tão ansioso que não aguenta a velocidade dos meus passos.

Fotografias. Queria guardar alguns recortes do casario para levar comigo. Como se aquelas ruas, guardadas assim em retalhos dentro de uma máquina, pudessem ser cenários dos meus passos sempre que me apetecesse.







quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Trinta e duas panquecas

(Para quem se dê ao trabalho de as contar e só encontre trinta, cabe-me informar que duas desapareceram misteriosamente...)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O homem da torre



Fui ao Porto. Mesmo perante a multidão confundida de veículos mantive a determinação de chegar ao centro. Não só porque tinha pouco tempo para o que queria fazer, mas porque sim (pensando bem, era especialmente pelo sim). Perto da Torre dos Clérigos vi que havia um lugar livre. Perfeito!


Reparei também numa pessoa levemente queda e, mais de perto, com uma face onde convivia uma barba alva com uma expressão de quem espera sem realmente esperar. Não reconheci de imediato mas cheguei à conclusão de que era um arrumador. Arrumador! Um eufemismo para rotular alguém que nos sinaliza, com um tempero de súplica, um lugar para o carro e, depois, com uns gestos decididos, orienta a nobre tarefa de encaixar o carro no espaço que tanto necessitamos. Alguém que cumpre esse seu trabalho com mais zelo do que muitos trabalhadores “normais” que encontramos noutros locais. Alguém que tentamos esquecer rapidamente porque está ali a fazer aquilo.

(Mea culpa. Normalmente também sinto-me inexplicavelmente incomodado pela presença dos arrumadores. Não sei porquê mas desta vez isso não aconteceu; paradoxalmente até fiquei com muita vontade de estacionar ali.)

Depois do carro estacionado, não me pediu nada. Nada de olhares suplicantes, nem mãos estendidas. Apenas ficou perto, com um olhar onde residia uma dignidade intocável. Foi a moeda que, recorde eu, dei com mais vontade e com o sentimento de que era insuficiente.

Quando voltei já era noite mas ele lá continuava. Fiel no seu posto, acompanhado pelo saco reciclável do Pingo Doce onde descansava sonolento um chapéu-de-chuva. Antes de ligar o carro para me ir embora, quis ficar a olhar para ele durante uns momentos. Podia perfeitamente ser alguém da minha família. Surgiu-me a vontade de entrevistá-lo para lhe escrever a biografia. Onde nasceu? Que recordação guarda dos seus pais? Que profissão teve? Qual a sua cor favorita? Casou e teve filhos? Qual foi a maior alegria que teve? Quem é o seu melhor amigo? O que pensa da Torre dos Clérigos? Tem alguém à espera em casa?


Não tive mais tempo para mais. As cidades têm destas coisas: Assustam-me mas também me atraem.

sábado, 20 de março de 2010

Informação completa



Rua de Olivença, Covilhã.